Funcionário morto no Carrefour estava em desvio de função, diz família

O acidente que causou a morte do homem ocorreu na tarde do último domingo (25) . Foto: Divulgação

O empregado era operador de loja

Um funcionário do Carrefour da loja Limão, localizado na Marginal Tietê, na Zona Norte de São Paulo, morreu após um acidente com uma empilhadeira em um galpão da empresa na tarde desse último domingo (25/04). Segundo informações, Matheus Silva era operador de loja. Após o falecimento da vítima, a filial do Carrefour suspendeu suas atividades do dia em respeito ao empregado.

Agentes da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros e do SAMU foram acionados para o caso. Segundo informações, a empilhadeira teria caído por cima da vítima.

O Carrefour se pronunciou sobre o ocorrido através de uma nota. “É com grande pesar que informamos o falecimento de um colaborador nosso na loja Limão, decorrente de um acidente na área de estoque com uma empilhadeira. O colaborador trabalhava como operador de loja. Imediatamente ao acidente, prestamos o atendimento inicial e acionamos o Corpo de Bombeiros e o SAMU. O acesso à vítima e ao local do acidente ficou restrito à pedido da Polícia para a realização da perícia. Em respeito aos familiares e colegas de trabalho do colaborador, as operações foram suspensas e a loja, fechada neste domingo. Estamos à disposição das autoridades para contribuir com as investigações. Neste momento de imensa dor, estamos em contato com a família, dando todo o suporte necessário e também apoio psicológico”, disse a empresa.

Matheus Silva, de 20 anos, morreu ao pilotar empilhadeira

O funcionário Matheus Silva, de 20 anos, estava em desvio de função no momento em que perdeu a vida no estabelecimento, afirma a família.

Os parentes dizem que o jovem não era habilitado para conduzir a empilhadeira que causou o acidente. A máquina pilotada por ele caiu em cima do corpo do próprio, por volta das 12h. Matheus, que deixou um filho de apenas dois anos, morreu ainda no local.

Em nota ao UOL, o Carrefour confirmou que o funcionário “trabalhava como operador de loja e não tinha em seu escopo de trabalho a operação de empilhadeira”. Apesar disso, uma prima da vítima conta que não era a primeira vez que Matheus pilotava a empilhadeira dentro do hipermercado. “O Matheus trabalhava no setor do hortifruti. Ele não tinha habilitação e muito menos uma licença para manusear a empilhadeira. Já havia comentado com a mãe dele que o Carrefour mandou fazer um curso de empilhadeira, porém ele não tinha dinheiro no momento, e mesmo assim, o Carrefour continuou colocando para fazer o trabalho”, afirma a estudante Gabriela Lorena Tavares, de 20 anos.

Amigos relatam que Matheus pilotou empilhadeira outras vezes.

Os parentes enviaram ao UOL prints de colegas de trabalho de Matheus contando tê-lo visto pilotando a empilhadeira em outras oportunidades. Em uma das imagens, a pessoa diz: “Não foi a primeira vez que ele pegou a empilhadeira, tanto ele, como vários funcionários (sic)”. A família ainda conta que, ao chegar ao supermercado após o acidente, receberam três versões diferentes. A primeira, do hipermercado, foi a de que Matheus não estava mais no estabelecimento, pois teria sido levado ao hospital. Ao questionar a unidade de saúde em que ele foi atendido, os parentes dizem que os policiais informaram outra versão, a de que o corpo ainda se encontrava no Carrefour.

“Após questionarmos a falta de informação correta, na terceira versão eles [Carrefour] disseram que os bombeiros tentaram fazer massagem cardíaca, mas sem sucesso. (…) Após fecharem o mercado e dispensarem os funcionários, começou a chegar clientes e eles estavam dizendo que o mercado precisou fechar pois teve uma falha no sistema”, relatou a prima.

Empilhadeira caiu no peito do funcionário

De acordo com a família, a verdadeira dinâmica da morte de Matheus foi revelada somente por funcionários que se solidarizaram com os parentes do colega de trabalho. “Um amigo do meu primo disse que a empilhadeira caiu em cima do peito dele. Só escutaram o barulho, e quando tentaram erguer aa empilhadeira, que não pesava menos de 10 toneladas, meu primo estava duro”, lamenta Gabriela. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, policiais militares souberam que Matheus morreu “após o veículo que ele operava ter tombado em uma rampa”. O caso foi registrado como morte suspeita no 13º DP.

Carrefour diz que presta apoio

A empresa informou que após atendimento inicial do Corpo de Bombeiros e Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), “o acesso à vítima e ao local do acidente ficou restrito, a pedido da polícia para a realização da perícia”. “Em respeito aos familiares e colegas de trabalho do colaborador, as operações foram suspensas e a loja, fechada durante o domingo”. A empresa nega que tratou a morte como “falha no sistema”. “Reforçamos também que o colaborador possuía contrato regular de trabalho e, no dia do acidente, estava em horário normal de expediente. Reforçamos também que em momento algum alegamos que o triste acidente tivesse sido uma falha sistêmica. Estamos à disposição das autoridades para contribuir com as investigações. Neste momento de imensa dor, estamos em contato com a família, dando todo o suporte necessário e também apoio psicológico”, completou em nota.

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